sexta-feira, 24 de junho de 2011

Feelings

Que sensações são estas que me acometem? E este tempo que me delimita?

                                  Por: Blenno  Gustavo

Cidadão

Sou cidadão do mundo,
Filho do Brasil,
Nascido no planalto central

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Conselhos

Escancara  o que te afliges
abstenha-se dos preceitos alheios,
eles não lhe servirão nessa caminhada.

Despoje esta tênue máscara,
revele a densa faceta que lhe acomete
e cuidas para não assombrares  com o monstro,
já que não sois mais a ingênua criança de outrora.

Embriague-se,
exalte os teus  desejos  mais ocultos,
mantenha-se ébrio,
pois a sobriedade é o fardo carregado pelos   loucos.

Cultivas o bom silêncio,
Silencias as más palavras...

E os bons valores , esqueça-os!
Eles não cabem nas algibeiras do egoísmo e banalidade.
E tampouco fazem parte deste tempo.

                       Por: Blenno  Gustavo

sábado, 11 de junho de 2011

Não procure ser coerente

Não procure ser coerente o tempo todo. Afinal, são Paulo disse que “a sabedoria do mundo é loucura diante de Deus”.
Ser coerente é usar sempre a gravata combinando com a meia. É ser obrigado a ter, amanhã, as mesmas opiniões que tinha hoje. E o movimento do mundo – onde fica?
Desde que você não prejudique ninguém, mude de opinião de vez em quando, e caia em contradição sem se envergonhar disso.
Você tem este direito. Não importa o que os outros pensem – porque eles vão pensar de qualquer maneira.
Por isso, relaxe. Deixe o Universo se movimentar à sua volta, descubra a alegria de ser uma surpresa para você mesmo. “Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios”, diz são Paulo.
                                                            Paulo coelho

O estrangeiro

A quem você ama mais, homem enigmático, me diga:
seu pai , sua mãe, sua irmã ou seu irmão ?
-Não tenho pai , nem mãe ,nem irmã, nem irmão.
-Seus amigos?
O senhor está utilizando uma palavra cujo sentido para mim permanece até hoje desconhecido.
-Sua pátria?
Ignoro sob qual latitude está situada.
-A beleza?
-Eu a amaria com prazer , deusa e imortal.
-O ouro?
-Eu o odeio como o senhor odeia a Deus.
Ei! O que você ama então, extraordinário estrangeiro?
-Amo as nuvens ... as nuvens que passam ... lá , lá adiante ... as maravilhosas nuvens!
                                             
                                                                                                  Charles Baudelaire

Seus Olhos

           Há tempos o amor não invadia aquela pacata cidade.O protagonizavam João e Cecília ,  ambos no auge do deleite juvenil , acometidos pelo mais belo dos sentimentos.Ela ,de beleza tímida para sua época , mas agraciada por um  par de olhos  fascinantes e um sorriso que cativava até mesmo o mais sisudo dos céticos . Moça de modos simples , família humilde.Residia à casa número 665 da rua dos Pinheiros, defronte à praça Assis, onde meter-se-ia todas as tardes a caminhar , ora acompanhada, ora só.
           Contava 19 anos, sendo alguns meses destes  dedicados à João, que deixara de ser menino e ainda não se inteirara homem.Nascera 2 anos tardios em relação á sua amada. idealizava-a, planejava  o futuro que ainda não tinham.Era sujeito tímido e seu acanhamento o acompanhava mesmo nas  caminhadas pela praça  Assis,  quando , entrelaçado  pela força comum  aos amantes, deixava-se atrapalhar com os resquícios de meninice que ainda lhe restavam, tropeçando em algumas palavras , lhe faltando outras.Diante de tais fatos ,a alma feminina de Cecília  desabrochava-se em risos. Um misto de vergonha e dúvida tomavam a mente de João,bastando o olhar encantador da moça  para cessar tais  sensações e desguarnecer,pelos deleites do amor juvenil,as entranhas do pobre diabo.
             Um dia , no entanto , o residente da  casa número 667 da rua dos pinheiros tivera de se ausentar,com vontade arrastada, de sua cidade e também de sua amada.Sua mãe quisera ver o filho doutor e o esforço de seu pai permitiu-lhe morar na capital , com o propósito de findar seus estudos.
            Mas  indivíduos simplórios como João não se acostumam à selva de pedra e tampouco a seus habitantes.Em três meses não fizera amigos.Sua rotina alternava-se entre os estudos acadêmicos e a longa estadia em casa. Sua mente , quando esvaída das obrigações diárias  era tomada pela saudade de sua terra e principalmente de sua amada.Muitas foram  as vezes que Cecília invadira os sonhos de João. Ora com desejos puros e belos , como donzela, ora com desejos carnais, como mulher.
.Ao despertar de tais sonhos, o jovem rapaz via-se dominado por uma angústia voraz, que lhe doía o peito e martelava-lhe a alma.Descobrira na escrita um meio de amenizar a angústia diária, sendo desta o  poema  "seus olhos", dedicado a Cecília:                        
Passaram-se mais alguns meses até que o semestre escolar terminasse e João retornasse à sua cidade natal...
Chegou de repente a rua dos pinheiros, numa terça a tarde, invadido pela tranqüilidade que os ares do interior nos proporciona, ansioso para ver Cecília, que àquelas horas encontrava-se a caminhar.
Aproximou-se então à Praça Assis, avistando uma moça e um rapaz, de  demasiado entrosamento para  uma mera amizade...
Alguns passos mais e viera a confirmação: era Cecília!Abraçada a um desconhecido, entrelaçada pela força comum aos amantes...
O jovem desfaleceu, recordou os amargos momentos passados na cidade grande, seus poemas, sua angústia... Não podia ser. Traidora!
O amor transformara-se em ódio e repulsa. Cuidou para que nenhum conhecido o visse, alojou-se numa casa abandonada, que tinha por vizinhas, de ambos os lados,a casa de Cecília e a de seus pais .
Lá pelas tantas da noite escutara passos, conhecia aquele andar, aquela cadência! Era a ingrata, desta vez só. Seu sangue ferveu, o instinto animalesco se apoderou de sua debilitada razão e com a agilidade comum aos loucos, surpreendeu-a, desferindo, logo em seguida, um golpe único na cabeça da moça, utilizando-se de uma barra de ferro que encontrara nas proximidades do local.
Cecília não teve chance de defesa, reconheceu, no entanto, João, único amor de sua vida, com quem sonhava pelas noites e devaneava pelos dias, razão pela inútil visita à capital e a triste volta para casa sem encontrar quem amava, caminhando pelas desertas e frias ruas daquela noite de Terça-Feira...
João abraçou-a dando-lhe o último ósculo, o mais doído de sua existência, balbuciando ao pé do ouvido da ainda inconsciente jovem ,enquanto cerrava pela última vez aqueles olhos, estes versos:
                            Bem aventurados sejam estes pseudo profetas
                            e suas falsas profecias
                            doces profecias...


Morria a ingrata, a insolente, a amada Cecília...


                                Por: Blenno Gustavo